domingo, 23 de maio de 2010

Choros no Jardim


Fazia dias que estava com vontade de estar lá, não pensem que é só imaginar e num piscar de olhos lá estou, não é fácil assim, tenho que ter sempre um motivo, meus dias conturbados muitas vezes não me permitem me refugiar eu fico triste por não estar quando quero no jardim, mas ele teme em ser divino e me aceita em meu ápice de sentidos.
Hoje fechei meus olhos ao deitar, como desejo fiquei pensando nos momentos no jardim, eu precisava de uma nova aventura de algo fantástico lá, passei uma semana e meia sem ele me proporcionar o que estava desejando tanto, foi então que eu cai lá, dessa vez foi violentamente difícil até para levantar depois desta tremenda queda, mas ao me levantar eu comecei a minha aventura.
Olhei em volta estava mais belo do que nunca, estava a minha espera a dias, o azul do céu era de radiar em meus olhos, o sol era de tornar qualquer sorriso tão mais iluminados como poderia imaginar a grama amenizou o meu tombo, mas meus joelhos eu machuquei admito, o que senti no momento só me fez agradecer com todo o meu amor por estar novamente no lindo lugar, mesmo sendo meu, para eu ir ao jardim, ele que tem que me aceitar, pois bem fiquei feliz por saber que até então não me negou.
Depois de alguns minutos tentando pensar no que queria fazer primeiro, surgiu a tristeza do mundo real em minha mente e me fez ali no jardim querer descontar minhas dores, foi então que eu desfrutei diferente das outras vezes estar na presença desse lindo lugar. As lágrimas eu não contive, estava tão, tão triste que não consegui deixar de derramá-las, para amenizar a presença delas em meu rosto eu resolvi correr contra o vento, logo em frente depois de muitos passos apreçados cheguei ao lindo monte de margaridas, olhei em volta eu sabia que estava lá, mas não consegui o ver, elas estavam úmidas, tinham acabado de receber água, estavam tão vivas, o vento forte eu meu rápido ritmo fizeram mil pétalas se embalarem no ar foi um espetáculo, mas que não pode curar minha tristeza.
Logo em frente a árvore que me acolhia estava diferente a terra úmida abaixo dela, junto as raízes dela, temiam uma coisa esconder de mim que tudo me fazia querer descobrir, foi então eu onde sentei comecei a cavar, a terra úmida me ajudava sem muito esforço eu achei o livro de minha vida, digo no momento que tentei lê-lo, mas não consegui, foi então que a dor aumentou terrivelmente sem parar, minhas lágrimas dobraram de intensidade em minha face e dali eu queria sair, de perto das páginas que eu escrevi, das belas e ruins lembranças, longe, longe eu quis ficar.
Saí correndo novamente, ele estava perto de mim, mas eu sai correndo, eu o sentia, mas não o via, isso causava mais dor. Foi então que me recordei do meu campo de rosas, era um refúgio e o castigo as minhas impurezas, meu egoísmo e minha ira, eu pulei em meio delas, e disse a elas: "Me aturem por favor, não me neguem meus amores, me marquem com seus espinhos para que eu possa lembrar que vocês existem e são tão fortes mais do que eu, que conseguem me domar". Ali eu fiquei por um bom tempo, ali eu senti por todo esse tempo que meu corpo estava cheio de marcas, mas a dor não era sufocante, era sim a dor mais pura que pude sentir, a leveza de estar livre das impurezas e dos pensamentos ruins que estavam por mim sendo carregados por um bom tempo, eu me sentei, juntei minhas pernas ao meu colo, as abracei e as lágrimas continuavam sem cessar, eu precisava de mais alguma coisa pra completar minha lavagem.
O lago, o lago que sempre estive a contemplar, levantei e fui até a margem dele, observei que seu movimento era leve, puro e estava a me convidar, eu me lembrei que não sabia nadar, mas sabia que logo atraz de mim a árvore estava a me cuidar, foi então que eu me joguei e comecei a afundar, de olhos abertos, toda a beleza do seu interior eu pude presenciar, a mancha vermelha que me seguia não atrapalhava o meu olhar, o ar eu não senti acabar, ele não estava fazendo falta, eu não precisava dele, a pura água estava a me cuidar, depois de uma viagem eu voltei a superfície, olhei em volta quando me deparei com o sol se pondo ali na minha presença, parecia mesmo que ele também estava se retirando para mergulhar e assim eu senti o lago se aquecer, que sensação boa, mas a terra firme eu deveria voltar, sem dificuldade eu cheguei até lá, me refugiei em meio as raízes da árvore amiga que o livro da minha vida absorvendo para a terra novamente estava.
Novamente juntei minhas pernas ao meu corpo, de vestido molhado, meu cabelo escorrido, meus arranhões que estavam cicatrizados já, minhas lágrimas misturadas as gotas de águas em minha face, parecia minha tristeza lavar, o frio que começou a baixar foi amenizado pelo manto branco trazido pelos pássaros azuis e as borboletas de grande asas com olhos pintados nelas, e lá foram eles repousar, foi então que lembrei que não estava sozinha lá, foi quando lembrei que ele estava presente lá, eu sentia, mas dessa vez eu não o vi.
Sinto a presença dele lá, porque o quero lá, mas muitas coisas eu não consigo o ver como o via antes, mesmo assim eu estava tranquila, lembrei do livro de minha vida e a árvore em uma folha me mandou um recado, caiu em minha cabeça junto com um pequeno galho:

"Querida, esteja sempre preparada, um dia terá que lê-lo, um dia o mostrará a todos, enquanto trate de voltar mais vezes para que eu possa assim sentir o prazer de tê-la conosco".

Eu olhei para o alto, as folhas sem vento se balançaram eu então sorri pela primeira vez ali hoje, e senti minha companheira árvore que me protege me amar, ela é a mãe do meu jardim.

2 comentários:

André disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André disse...

Queria que eu estivesse no jardim quando você o visitou. Mas tudo bem. Enquanto não nos encontramos por lá, continuo regando as margaridas.